Adolescente é apreendido no Rio por incentivar automutilação e planejar ataques em comunidades online
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Segundo a polícia, o adolescente trocava mensagens com conteúdo extremista e violento
Divulgação
Um adolescente de 16 anos foi apreendido no Méier, as imediações do Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, suspeito de incentivar automutilação entre outros menores de idade e de planejar ataques violentos na plataforma Discord, segundo investigações da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
A ação faz parte de uma operação nacional coordenada, nesta quinta-feira (16), para combater a disseminação de conteúdos digitais de violência extrema e discurso de ódio, além de exploração sexual de crianças e adolescentes.
A operação foi coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e teve suporte do Ciberlab, ligado à Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da pasta.
De acordo com a investigação da Decradi, o jovem utilizava diversas plataformas digitais, principalmente grupos na rede Discord, para participar ativamente de comunidades relacionadas a crimes virtuais e conteúdos extremistas.
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Segundo a polícia, o adolescente incitava, estimulava e pressionava outras vítimas — todas menores de idade e de diferentes estados do país — à prática de automutilação.
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Em um dos casos identificados, uma vítima de 14 anos chegou a se ferir gravemente e a escrever no próprio corpo o apelido usado pelo suspeito na internet. Segundo relatos colhidos pelos investigadores, essa vítima está atualmente internada para tratamento psicológico.
Ainda de acordo com a Decradi, durante as investigações, foram identificadas múltiplas contas de e-mail e perfis em diferentes plataformas, onde o adolescente trocava mensagens com conteúdo extremista e violento.
Nesses diálogos, ele demonstrava interesse em adquirir armas de fogo, pesquisava valores de armamentos e buscava informações sobre a fabricação de artefatos explosivos improvisados.
Os investigadores também encontraram registros que indicam planejamento de ataques, além de menções à intenção de praticar atos de crueldade contra animais. Durante a operação, foi confirmado que o adolescente já havia comprado ao menos duas facas.
No momento da abordagem, o adolescente vestia uma camisa confeccionada sob encomenda, com uma inscrição em língua russa associada a discursos de ódio, segundo a polícia — item frequentemente ligado a grupos de ideologia extremista.
A Justiça do RJ autorizou a internação provisória do adolescente, além da busca e apreensão de aparelhos eletrônicos e da quebra de sigilo de dados, medidas consideradas essenciais para aprofundar a investigação e identificar outros possíveis envolvidos ou vítimas.
“Diante do aumento de registros de crimes virtuais envolvendo menores, é fundamental que pais e responsáveis acompanhem de perto o uso das redes sociais por crianças e adolescentes. O monitoramento do conteúdo acessado e consumido é essencial para evitar que eles sejam vítimas ou até mesmo participem de crimes dessa natureza”, alerta a delegada Rita Salim, titular da Decradi.
O g1 tenta fazer contato com os responsáveis pelo aplicativo.
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